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Aumento nos protestos pelo mundo

A situação está escalando no Chile. Fonte: Por Guido Coppa / unsplash.com Se você é uma pessoa que acompanha as notícias, deve ter reparado que, nas últimas semanas, houve uma onda de movimentos de protesto sem precedentes em vários países do mundo. Muitos deles, como veremos, abordam questões políticas e as liberdades individuais. Cada região do mundo possui suas próprias características, e a população tem, consequentemente, anseios distintos. Você sabia, por exemplo, que jogos de cassino online e apostas esportivas são ilegais em Hong Kong, a menos que seja pelo site da HKJC? Bom, obviamente essa não é a principal preocupação que motiva protestos, mas não deixa de exemplificar o posicionamento de alguns governos. De Hong Kong ao Chile e do Líbano ao Iraque, pessoas de todo o mundo estão saindo às ruas em protesto contra seus líderes. Em meio a essa miríade de diferentes movimentos de protesto, com seus diferentes contextos, histórias e objetivos, iremos comentar alguns dos principais movimentos que ganharam a mídia nas últimas semanas.

Uma essência compartilhada

No Líbano, a população protesta contra o imposto sobre o WhatsApp e a corrupção do país. No Chile, há diversas manifestações contra a tarifa do metrô e a desigualdade desenfreada. Em Hong Kong, um projeto de extradição e um autoritarismo crescente. Na Argélia, um quinto mandato para um presidente envelhecido e décadas e um regime militar. Os protestos que têm ocorrido nas ruas das cidades ao redor do mundo têm vários fatores. Mas a essência é compartilhada: uma classe média estagnada, democracia sufocada e a convicção profunda de que as coisas podem ser diferentes, mesmo que a solução não seja tão clara. E a lista não para por aí... Reino Unido contra a realização do Brexit; a França com seu movimento de colete amarelo; a Espanha com os movimentos separatistas da Catalunha. O Oriente Médio convulsionou com tanta dissidência que alguns estão chamando o período de segunda onda da primavera árabe. Na América do Sul, Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela experimentaram agitação popular.

Os principais movimentos na América Latina

Em nosso continente, uma onda de protestos passa por diversos países. No Chile, os protestos começaram em Santiago como um motim liderado por jovens, e os estudantes continuam no coração do movimento. Mas à medida que a rebelião aumentou para vilas e cidades fora da capital, cidadãos de todas as idades e classes sociais se uniram. Um movimento que começou contra o aumento na tarifa do metrô logo se transformou em manifestação política, muito parecido com os protestos que ocorreram no Brasil de 2013. Os chilenos exigem menor desigualdade e maior qualidade dos serviços públicos. Na Bolívia, a situação também está bastante complicada. O país foi tomado por protestos desde 20 de outubro, quando seu Supremo Tribunal Eleitoral suspendeu abruptamente a publicação de resultados de uma contagem eletrônica. A pressão das alas militares levou à renúncia de Evo Morales, que denuncia um golpe contra a democracia no país e teme pela vida de seus familiares. Do outro lado, alas da direita e dos militares afirma que houve fraude nas eleições. No Brasil, o desempenho do atual presidente Jair Bolsonaro tem causado diversos protestos pelo país, principalmente por movimentos ligados à esquerda. Apesar de em constante diminuição, o presidente ainda conta com certo apoio popular, que igualmente toma as ruas de tempos em tempos para demonstrar seu apoio às medidas do governo. No país, as principais demandas são pela valorização das minorias, investimento na indústria nacional (em contraste com a onda de privatizações) e melhoria nos serviços públicos. Do outro lado, existe uma forte pressão para reformar a previdência nacional e abrir cada vez mais o país para exploração por capital estrangeiro. Tudo isso em meio a denúncias referentes à principal frente de combate à corrupção da Polícia Federal, a Lava-Jato. Os protestos da Catalunha envolvem uma questão histórica e cultural. Fonte: Por Toimetaja tõlkebüroo / unsplash.com

Movimentos na Europa

Paralelamente, na Europa diversas manifestações têm ocorrido em alguns países com diferentes reinvindicações. Talvez a de maior notoriedade, a Espanha tem vivenciado os protestos pela independência da região da Catalunha, o que não é novidade na história do país. Embora o movimento de independência da Catalunha sempre tenha se orgulhado de protestos pacíficos, houve numerosos confrontos violentos, tanto do lado dos manifestantes como do policiamento. O governo de Madri disse que sua prioridade é manter a ordem pública e descreveu sua resposta como proporcional. Afirmou também que a cooperação entre policiais da força policial nacional e seus colegas catalães têm sido muito eficaz e rejeitou pedidos de partes de direita para assumir o controle da polícia catalã ou usar a constituição para implementar regras diretas. No Reino Unido, não fale em outra coisa senão Brexit. A polêmica saída dos britânicos da União Europeia divide opiniões, e tem muita dificuldade em entrar em acordo com a União. Mesmo após diversos atrasos, ainda não há uma saída coordenada e apoiada por ambos os lados.

Não podemos nos esquecer

É termos mais contato com aquilo que se passa ao nosso redor ou nos países que mais chamam a atenção da mídia devido à sua importância econômica, mas não podemos nos esquecer de mencionar outros importantes protestos que ocorrem em demais regiões do mundo. No Iraque, os protestos parecem sem uma liderança definida, mas são principalmente motivados por jovens e desempregados em um país com uma taxa de desemprego incrivelmente alta e onde quase um quarto da população vive na pobreza. Após décadas de sanções, uma invasão liderada pelos EUA e anos de guerra civil, inclusive contra o Estado Islâmico, a infraestrutura do Iraque definhou, seus serviços públicos são inadequados e o país luta para reconstruir sua economia. A corrupção é endêmica, um problema que os partidos sectários do país têm pouco apetite para tentar mudar. No Líbano, o governo é formado por uma coalizão instável e está dividido, sem disposição ou incapaz de investir nas estradas em ruínas do país, atualizar sua rede elétrica, revisar o sistema de coleta de lixo ou combater o aumento do desemprego entre os jovens. Um dos gatilhos dos protestos mais recentes foi um imposto de 20 centavos nas chamadas do WhatsApp que o governo anunciou como parte de um conjunto de políticas de austeridade para controlar o extremamente alto ônus da dívida pública do país. Por fim, citamos Hong Kong. Originalmente, foram motivados por uma proposta de mudança de lei de extradição que permitisse que suspeitos fossem transferidos para a China continental e julgados em tribunais controlados pelo partido comunista. Esse projeto foi retirado e agora os manifestantes estão protestando contra a suposta brutalidade policial e contra o governo por lidar com a crise. Em termos mais gerais, eles também se opõem à crescente influência chinesa sobre a cidade. E você, qual sua opinião sobre os protestos em seu país? Concordando com as reinvindicações ou não, você considera uma forma válida de comunicar insatisfação? Essa é uma questão que vale a reflexão!  

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