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O futebol feminino do Brasil é hepta mas por que ninguém fala sobre isso?

mulheres em campo jogando futebol feminino Fonte: Female Coaching Network Em abril de 2018, a equipe de futebol feminino brasileira, liderada por grandes jogadoras como Marta e Formiga, se tornou heptacampeã da Copa América, após uma campanha espetacular, com sete vitórias em sete partidas. Além do título, o primeiro lugar na competição também classificou o Brasil para os dois maiores eventos do futebol feminino a nível mundial, que são a Copa do Mundo da França, em 2019, e os Jogos Olímpicos de 2020, no Japão. Porém, mesmo com a importância dessa conquista, foram poucos os meios de comunicação que destacaram esse título. Até mesmo para assistir aos jogos da seleção feminina de futebol, o público interessado encontrou dificuldades pois as partidas não foram transmitidas por nenhuma rede de televisão, sendo possível acompanhá-los apenas pela internet. Desse modo, a grande questão é: por que o futebol feminino continua tão desvalorizado em um país fascinado por futebol? Enquanto outras modalidades estão ganhando mais espaço na mídia, como o vôlei, e até mesmo games de computador e jogos de cassino online, o futebol permanece sendo visto como um assunto para os homens.

O machismo no esporte

De acordo com a professora Maíra Kubik, que é especialista em Estudos de Gênero e Diversidade na Universidade Federal da Bahia (UFBA), no meio do futebol, as mulheres continuam sendo vistas principalmente no papel de "musa" do que no de "atleta". Para a professora, o machismo característico dos brasileiros influencia para que muitos acreditem que as mulheres não têm espaço no futebol. Consequentemente, conquistas importantes da equipe feminina e também os feitos individuais de jogadoras como Marta, que já foi eleita quatro vezes como melhor jogadora do mundo pela FIFA, acabam tendo pouca visibilidade. Ainda segundo a professora, alguns estudos já demonstraram que o machismo na cobertura do futebol é tão presente que, quando alguma mulher se destaca nesse meio, muitas vezes elas são expostas pela mídia de forma a destacar o seu corpo, e não o talento que possuem dentro ou fora de campo.

O interesse do público pelo futebol feminino

Para justificar a falta de espaço do futebol feminino nos principais veículos de comunicação, é comum ouvir alguém dizendo que a modalidade é chata ou que não traz audiência. Mas números recentes demonstram que essas afirmativas não são verdadeiras. Durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, uma das partidas de futebol feminino, a das quartas-de-final contra a Austrália, se tornou a quarta maior audiência entre todos os eventos esportivos transmitidos ao longo do jogos olímpicos. Meses depois, o instituto Ibope Repucom realizou uma pesquisa com o objetivo de descobrir mais sobre o interesse do público sobre várias modalidades esportivas. Em relação ao futebol feminino, 51% dos entrevistados declararam que gostariam de ter mais acesso a essa modalidade. Essas estatísticas demonstram que a falta de interesse não é o maior obstáculo para a popularização do futebol feminino, e sim o preconceito e o machismo que ainda existem contra o esporte. Portanto, para torná-lo mais relevante em todo o país, é essencial combater essa intolerância e mostrar que o futebol feminino tem potencial de trazer muitas alegrias ao público brasileiro.


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