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Entenda como a guerra comercial entre EUA e China pode afetar o Brasil

navio mercante de grande porte a transportar produtos importados Fonte: Pexels

Nos últimos meses, a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China atingiu um novo patamar devido a adoção das maiores taxas de importação desde que o republicano Donald Trump chegou a presidência. Entre as medidas implantadas, os Estados Unidos começaram a cobrar taxas de 10%, as quais aumentarão de forma contínua até 25%, em cerca de cinco mil categorias de produtos chineses. Como retaliação, a China adotou um sistema de taxas similar, também de 25%, sobre mais de 500 categorias de produtos norte-americanos. Além do grande impacto que essas medidas irão causar nas negociações comerciais entre os dois países, os analistas acreditam que essa hostilidade económica também afetará outros Estados, entre eles, o Brasil.

O papel do Brasil na guerra comercial

A China é o país que mais importa soja no comércio global, sendo a responsável pelo consumo de quase dois terços do total das importações. Nesse aspeto, o Brasil e os Estados Unidos se destacam como os dois maiores produtores de soja do mundo, e também como os dois grandes fornecedores do produto para a China. Somente em 2017, a China importou cerca de 97 milhões de toneladas do grão, sendo que 57% desse volume foi importado das lavouras de soja brasileiras. Com as disputas comerciais entre os chineses e os norte-americanos, a soja brasileira pode acabar se favorecendo em âmbito internacional, caso a China decida diminuir as importações do produto vindo dos Estados Unidos. Apesar de parecer uma vantagem a curto prazo, Blairo Maggi, atual Ministro da Agricultura do Brasil, declarou em entrevista que o aumento da demanda externa pela soja brasileira poderia causar sérios problemas para o país. Em meio a essa crise comercial, o Brasil teria que cogitar novas alternativas para o aumento de arrecadação, como a legalização dos jogos de casino online, por exemplo. Além disso, com a crescente valorização da soja brasileira pela China e o aumento dos preços no mercado internacional, os produtores nacionais certamente irão priorizar as exportações em detrimento de abastecer o mercado interno. Contudo, a soja é essencial para a produção das rações que alimentam o gado no país, e a sua falta ou aumento de preço causaria grandes prejuízos a médio e longo prazo. painel de monitoramento das ações comerciais Fonte: Pexels

Possíveis desfechos para essa questão

De acordo com o pesquisador Gustavo Oliveira, da Swarthmore College, esse contexto de guerra comercial evidencia a vulnerabilidade brasileira no comércio internacional, pelo fato do Brasil exportar majoritariamente commodities de baixo custo, como soja, açúcar e minério de ferro, e importar produtos manufaturados, com um alto valor agregado. Para tirar algum proveito desse cenário, o Brasil deve se manter imparcial na disputa entre China e Estados Unidos, e se abrir para investimentos de ambos os lados. Segundo o professor de economia Marcos de Paiva Vieira, que leciona na Universidade de Tecnologia de Cantão, esse é o momento para que o Brasil se mobilize para receber tecnologia, especialmente tecnologia chinesa através das fintechs, pois o país precisa avançar tecnologicamente para variar sua cartela de exportações e expandi-la além dos commodities. Além disso, a tendência em prol de medidas protecionistas, liderada especialmente pelos Estados Unidos, afetaria menos o país caso as exportações brasileiras fossem formadas por mais produtos manufaturados e menos itens de baixo valor agregado.


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