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Desafios ao cursar a universidade após os 50

sala de aula de uma universidade Fonte: Pexels

Ao imaginar uma universidade, o mais comum é pensar em uma multidão de alunos na faixa dos 20 anos, que equilibram a vida estudantil com festas, saídas com os amigos e entrevistas de estágio. Entretanto, o que muitos sequer imaginam é que o número de estudantes universitários com mais de 50 anos não pára de crescer em todo o Brasil. Impulsionados pelo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e pelo SISU (Sistema de Seleção Unificada), muitos aposentados estão retornando as salas de aula, seja para obter o primeiro diploma universitário ou para se formar em uma área diferente da profissão que exerciam. Para se ter uma ideia, no ano 2000 o número de estudantes nas universidades brasileiras com mais de 50 anos era de cerca de 8.700. Na década seguinte, em 2010, esse número cresceu para 24.500, o que representa um aumento de aproximadamente 180%.

Tentativa de continuar no mercado de trabalho

Uma das principais razões desse aumento no número de pessoas com mais de 50 anos dentro das universidades é o desejo e a necessidade de permanecer ativo no mercado de trabalho. Atualmente, a média de idade para obter a aposentadoria no INSS é de 55 anos, enquanto no setor público, a idade mínima é de 60 anos. Nessa faixa etária, muitos profissionais ainda desejam estar ativos, apesar da crença popular de que, após a aposentadoria, as pessoas pensam somente curtir a vida e se dedicar ao lazer, com viagens e jogos online. Por outro lado, a recolocação dos indivíduos com mais de 50 anos no mercado não é muito simples, especialmente durante os períodos de recessão econômica. Para driblar os obstáculos, a melhor alternativa é a qualificação profissional, e por isso é cada vez maior o número de estudantes dessa faixa etária, seguindo o exemplo de outros países, como o Japão, onde é comum encontrar pessoas trabalhando até a casa dos 70 anos, por exemplo.

Novas experiências dentro da sala de aula

Uma particularidade em comum entre aqueles que escolhem encarar a universidade depois dos 50 anos é ter a chance de aproveitar essa experiência de aprendizado sem o mesmo nível de pressão e angústia de grande parte dos jovens, os quais se preocupam em ter o diploma rapidamente para começar a ganhar um salário. Apesar de muitos estudantes com mais de 50 anos estarem na universidade para se recolocar no mercado, a imensa maioria já se aposentou, o que concede uma certa segurança e permite que eles se dediquem mais a adquirir o conhecimento e conviver socialmente com os demais alunos. Quando questionado sobre a experiência de ter um número cada vez maior de alunos com 50 anos ou mais, Fause Saad, que é o coordenador da Universidade Aberta à Maturidade, que pertence a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, afirmou que costuma brincar que os estudos são capazes de rejuvenescer mais do que as cirurgias plásticas, destacando que para os mais velhos, principalmente, esse contato social funciona como um estímulo muito importante. Nos próximos anos, com o número cada vez maior de vagas oferecidas no Ensino Superior, o acesso simplificado através da prova do ENEM e as facilidades de financiamento oferecidas pelas universidades particulares, a estimativa é de que o número de alunos com mais de 50 anos permaneça em alta.


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