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Conheça Neil Harbisson, o primeiro artista-cyborg do mundo

olho com uma tecnologia digital Fonte: Pixabay

Desde a infância, Neil Harbisson percebeu que era diferente das outras crianças. Porém, ele demorou algum tempo para saber a razão pela qual era diferente. Entre idas e vindas aos consultórios médicos, especialistas chegaram a diagnosticá-lo com daltonismo e dificuldade para o aprendizado, mas a verdade é que Neil nasceu com acromatopsia, uma condição que só permite que ele enxergue em duas cores, preto e branco. Enquanto cursava a universidade, na Dartington College of Arts, Neil Harbisson decidiu ir em uma palestra sobre tecnologia e cibernética, a qual rapidamente despertou o seu interesse sobre o tema. Fascinado pela possibilidade de captar as cores de algum modo, Neil procurou o palestrante, Adam Montandon, que é um dos especialistas em cibernética da Universidade de Plymouth, e explicitou a vontade de utilizar a tecnologia para superar sua deficiência. Com o apoio de Monrandon, Neil decidiu implantar um "eyeborg" no crânio, o qual é uma espécie de sensor capaz de interceptar as frequências de luz e transformá-las em frequências acústicas. Desse modo, apesar de ainda não enxergar as cores, Neil Harbisson passou a escutá-las, o que serviu como pontapé inicial para os projetos artísticos que ele desenvolveria a partir de então.

Adequação a condição de cyborg

Após incorporar o "eyeborg" ao seu corpo, Neil Harbisson se tornou um cyborg, ou seja, um ser humano com uma estrutura cibernética dentro de si. Apesar das vantagens obtidas com essa mudança, como a chance se ter uma rede de bluetooth ativada dentro da cabeça e ter um acesso ainda mais fácil a internet e aos jogos de cassino online, Neil relatou em entrevista ao jornal britânico The Guardian que não foi tão fácil se acostumar a essa nova condição. De acordo com Neil, ele demorou algumas semanas até conseguir lidar com o "som" das cores e identificá-las de forma mais natural, como uma sensação. Assim, com o passar do tempo, ele passou a superar facilmente situações anteriormente desagradáveis do dia a dia relacionadas a percepção das cores, como identificar em qual lixeira colocar o lixo orgânico ou qual torneira é de água quente e não fria. Há mais de quinze anos com o seu "eyeborg", Neil Harbisson se tornou também um dos grandes nomes no ativismo pelos direitos dos cyborgs. O episódio mais memorável nesse aspecto aconteceu em 2004, quando Neil conseguiu que o Reino Unido o reconhecesse como cyborg e permitisse que ele tirasse a fotografia do passaporte com o seu sensor eletrônico. Segundo ele, foi preciso provar que o uso do "eyeborg" não era uma escolha e sim uma parte necessário do seu corpo.

pessoa apontando para estruturas cibernéticas Fonte: Pixabay

Cyborg Foundation

Após ser o grande precursor do uso de mecanismos cibernéticos para a criação de projetos artísticos, Neil Harbisson criou a Cyborg Foundation, uma entidade para apoiar a todos que, assim como ele, também têm o interesse de se tornarem cyborgs para aguçar os sentidos e investir no desenvolvimento da arte. Além de ajudar no processo de conversão e adaptação ao status de cyborg, a fundação também busca promover o conhecimento sobre o tema, quebrar os preconceitos que ainda existem e conseguir cada vez mais direitos para os cyborgs reconhecidos pelas autoridades governamentais.


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